sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Hoje...

Anoitece! O palácio entra no silêncio e calmaria que a noite traz, lá fora o vento sopra de mansinho por entre as arvores do jardim, fazendo anunciar a chuva que se aproxima. Deitada sobre a cama, nesta letargia doce sinto a alma levitar pelo quarto enquanto o meu corpo descansa nos lençóis macios, sinto-me tão leve…
Do quarto dos senhores vem as vibrações e os gemidos a lembrar-me que eles estão de novo na luxúria da alcova, mas não me mexo, deixo-me estar ali deitada sentido o meu corpo a querer eriçar-se pelos gemidos que me despertam os sentidos. Fico ali, apenas sentindo a excitação aumentar. Lá fora o vento forte que soprava acalma, a chuva começa a cair levemente, bate na vidraça e da minha garganta solta-se um soluço, uma melancolia súbita toma conta de mim o meu corpo sucumbe àquela sensação e as lágrimas correm-me pelo rosto, soltas, livres, numa torrente enérgica que me lava a alma.
Quando os soluços cedem e as lágrimas se cansam de correr, a melodia da chuva que agora cai intensamente fazendo com que o cheiro do jardim me invada as narinas e vá directo alojar-se no canto da minha mente onde guardo as mais doces recordações, aquele perfume faz soltar a imagem de um dia assim em que no jardim te encontrei, nossos olhares se cruzaram, num ímpeto fugaz nossas bocas não resistiram e se tocaram primeiro a medo, como se o medo de não ser real, provocasse o receio de que de um momento para o outro voasses por entre as arvores e apenas fizesses parte da minha imaginação. Mas não era. E ainda sinto em mim, esse beijo que de doce e calmo passou a fogoso intenso, carregado de desejo, depois que essa tua boca deliciosa saciou a minha, entregou-se ao meu corpo e percorreu-o com mestria. Calma, lentamente murmurando o teu desejo, o teu amor. Mordiscaste todo o meu corpo, lambeste, beijaste, apertaste, até que encontraste o meu jardim e o tornaste teu. Com ímpeto devoraste o meu sexo quente e húmido com a fome que sempre tiveste de mim, essa fome que me faz sentir única e me dá o paraíso. Sussurraste no meu ouvido o teu amor e o meu corpo entrou naquela dimensão em que já não tem consciência, minha alma saiu do corpo sobrevoou o jardim e regressou num espasmo doce de prazer. Uma paz imensa me atingiu.
Suspiro…
Hoje só queria fazer amor contigo.