quarta-feira, 4 de maio de 2011

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Amanhece, e mais um dia começa com a corrida matinal.
Sinto me uma completa estranha dentro de mim, e como que num gesto automatico faço todas as coisas que faço todos os dias ao levantar.
Entro no autocarro, sento-me e sinto o seu cambalear, percorre a estrada solitária, é longo o caminho, do rádio a musica suave convida ao fechar dos olhos, e assim neste estado dormente deixo-me levar.
Lentamente, sinto me a entrar noutro espaço, chamo-te baixinho, em silêncio uma lágrima solta-se e percorre o meu rosto morrendo nos meus lábios, sinto-a, sinto-te em mim, e volto em silêncio a chamar-te...
De repente os teus lábios, beijam-me os olhos, mordiscam-me as orelhas, percorrem-me o pescoço num remoinho de emoções, sinto o teu arfar, a tua respiração quente e acelarada faz-me o corpo tremer e sem que me aperceba um soluço se desprende da minha garganta, a tua boca abafa-o, não sei onde estou, se estás ao meu lado se estamos numa outra dimensão, mas sei que te sinto, sei que te tenho em mim.
Sinto os teus lábios suaves e doces que com pequenos beijos me atordoam, sinto a tua a lingua a desbravá-los e a entrar na minha boca, sinto-a enrolar-se na minha, saboreio não ta largo, e simplesmente sei que tudo ao meu redor parou, estamos para além das nuvens.
Sinto um grande alarido, a viagem acaba, cheguei ao destino.
Sonhei?
Prefiro acreditar que sei o caminho para te ter comigo. Não quero esquecê-lo, nesta estrada encontro-te sempre que a tua Alma me procura, sempre que a minha te chama e tu vens ao meu encontro.
É aqui que estarei.